F A L T A #1
Fanzine colectiva com capa impressa em serigrafia, nas Oficinas de São Miguel.
Miolo impresso em offset.
/
Collective fanzine with cover printed in silkscreen, at Oficinas de São Miguel.
/
A presente edição da FALTA não é caso para diversão. Ninguém decide
encher tantas páginas com o termo Falha por dá cá aquela palha. Sabemos da
existência de sinónimos como lasca, da eiva, da fenda e da racha, e evitamos a
todo o custo o defeito, a imperfeição, a omissão, a brecha. Associamos
também a bolha, mania ou mesmo a pancada quando falamos em desarranjos
mentais. Vivemos em ilhas com quebras nas camadas geológicas e com
desníveis nas placas tectónicas.
Certo, certo é que vivemos rodeados de gente que não tolera falhas para
si, quase nunca para os outros. E um mundo que não tolera a falha é um lugar
hostil que não permite qualquer falta no peso ou na medida dos gestos, que
pouco arrisca, inventa, cria…outra leitura dos dias e da vida.
Desta feita, o verbo “falhar” é bastante temido no universo da eficácia,
mal-aceite na onda global do progresso infinito, impeditivo na senda de quem
quer sucesso, ainda que o dramaturgo irlandês de rugas fortes tenha deixado
escrito: Falhar, falhar, falhar cada vez melhor.
Produzimos esta FALTA para que a falha continue a ser uma resistência,
uma hipótese de grãozinho na engrenagem, uma intromissão do acaso e do
imprevisto na ordem natural das coisas, podendo mesmo levar a
consequências inesperadas...
Para que a FALTA prossiga como acidente carregado de futuro.
2018
F A L T A #1
Fanzine colectiva com capa impressa em serigrafia, nas Oficinas de São Miguel.
Miolo impresso em offset.
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Collective fanzine with cover printed in silkscreen, at Oficinas de São Miguel.
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A presente edição da FALTA não é caso para diversão. Ninguém decide
encher tantas páginas com o termo Falha por dá cá aquela palha. Sabemos da
existência de sinónimos como lasca, da eiva, da fenda e da racha, e evitamos a
todo o custo o defeito, a imperfeição, a omissão, a brecha. Associamos
também a bolha, mania ou mesmo a pancada quando falamos em desarranjos
mentais. Vivemos em ilhas com quebras nas camadas geológicas e com
desníveis nas placas tectónicas.
Certo, certo é que vivemos rodeados de gente que não tolera falhas para
si, quase nunca para os outros. E um mundo que não tolera a falha é um lugar
hostil que não permite qualquer falta no peso ou na medida dos gestos, que
pouco arrisca, inventa, cria…outra leitura dos dias e da vida.
Desta feita, o verbo “falhar” é bastante temido no universo da eficácia,
mal-aceite na onda global do progresso infinito, impeditivo na senda de quem
quer sucesso, ainda que o dramaturgo irlandês de rugas fortes tenha deixado
escrito: Falhar, falhar, falhar cada vez melhor.
Produzimos esta FALTA para que a falha continue a ser uma resistência,
uma hipótese de grãozinho na engrenagem, uma intromissão do acaso e do
imprevisto na ordem natural das coisas, podendo mesmo levar a
consequências inesperadas...
Para que a FALTA prossiga como acidente carregado de futuro.
2018
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